03 Setembro 2009

A equipa familiar do Restaurante Casa Vita:
Elvio (pai), Elvio (filho, ao fundo), Juan Carlos, Maria Carmen, Belén, Cristal e Maria.

CASA VITA

MOMENTO DE VIDA PARTICULARMENTE SABOROSO

O final do dia estava cálido e, também por isso, apetecia jantar ao ar livre. Por sugestão da nossa anfitriã, poderíamos encontrar um restaurante de boa comida, com uma esplanada com vista para Ourense (Galiza, Espanha), a curta distância da casa onde iríamos pernoitar.

De carro, lá encontrámos o lugar, Casa Vita, à porta do qual se encontravam dois homens à conversa.

Eram 21 horas quando chegámos ao restaurante e, um dos homens que estavam à porta saúda-nos e convida-nos a entrar. Lá dentro, não vimos ninguém, nem clientes nem empregados.

Na sala em que nos encontramos, vemos uma série de travessas com comida, por confeccionar, alinhadas por detrás de um balcão de vidro, que separa a área pública da cozinha, à vista.

Pela conversa, rapidamente percebemos que o homem que nos acompanha, Elvio, é o proprietário do restaurante. Pela forma apaixonada e graciosa como fala do restaurante e da sua actividade profissional, suspeito que o Elvio é também a alma deste lugar.

Feitas as escolhas gastronómicas, amêijoas, empada galega, pimentos de Arnoia (grandes e saborosos, mas não picantes, contrariamente aos seus parentes de Padrón, estes mais populares), e petingas fritas (aqui chamadas de xoubas ou parrochas), procuramos em vão a esplanada com vista para Ourense.

Intrigados, inquirimos o nosso guia, que nos aponta para o outro lado da rua, onde existe de facto um amplo terraço, propriedade da casa, com mesas e cadeiras, e uma vista panorâmica para a cidade de Ourense.

Lá, somos os primeiros a sentar-nos e, vamos descobrindo os pormenores da Casa Vita, pela boca do Elvio e, logo a seguir, também por um dos seus colaboradores e filho, Juan Carlos.

O Elvio diz-nos que a sua taberna (o termo é dele …) nasceu ali mesmo, do zero, há mais de 40 anos. Na altura, tudo era feito por ele e pela esposa, Maria Carmen (esta na cozinha). Com o passar do tempo, chegaram cinco filhos, que à medida que foram crescendo, foram aprendendo as artes de bem servir e cozinhar, tornando-se membros activos da equipa do restaurante.

Hoje, todos os filhos têm outras actividades profissionais, o que não os impede de ajudar os pais nas horas vagas. Esta noite, para além dos dois fundadores da casa, estão também presentes dois filhos (no serviço de mesas) e duas filhas e uma nora (na cozinha).

À medida que o tempo passa, as mesas vão sendo ocupadas por clientes que parecem ser habituais, e o ambiente é descontraído e festivo.

Estando nós no lado oposto da rua àquele onde se encontra a cozinha do restaurante, observamos o trajecto feito pelos empregados da casa que, com travessas nas mãos, cruzam a rua com naturalidade, apesar do movimento esporádico de carros.

A comida vai chegando à nossa mesa, e deliciamo-nos com tudo, boa matéria-prima e excelente confecção, repetindo ainda os pimentos e as petingas. Acompanhamos a refeição com um vinho tinto da casa, de produção própria.

No final, somos brindados com um prato de doces, gentil oferta da casa.

Pela hospitalidade com que fomos recebidos, e pelo excelente jantar que nos foi servido, não podíamos partir sem antes agradecer este serão inesquecível.

Ainda para mais, o Elvio confessou-nos que muito provavelmente ele e a esposa irão reformar-se em breve e, quando isso acontecer, a Casa Vita fechará as portas para sempre, já que os descendentes não querem continuar com a actividade de restauração.

É uma pena se tal acontecer. Como não sabemos se teremos outra oportunidade de cá voltar a tempo de rever a família Vita, convoco todos os presentes, pessoal da cozinha incluído, para uma fotografia.

Afinal, a vida tem momentos de felicidade.

22 Junho 2009




















Julia e Aiylin, em Sozopol.

BULGÁRIA

UMA AMOSTRA DA CHAMADA EUROPA DE LESTE

Até hoje, do leste da Europa apenas conhecia a Grécia mas, na chamada Europa de Leste nunca havia estado.

Agora, surgiu a oportunidade de visitar a Bulgária, um dos ex-membros do Bloco Soviético, recém-chegado à União Europeia.

Começo por explicar as razões desta minha viagem à Bulgária. Há alguns anos, em Portugal, conheci uma família búlgara, que lá viveu durante alguns anos, como emigrante.

Hoje, já não vivem em Portugal, embora o pai da família ainda esteja emigrado. A mãe, Ayshe, já regressou à Bulgária, onde vive com as duas filhas, Julia e Aiylin. A elas liga-me uma forte amizade e tenho pelas filhas em particular, uma ternura especial. Diria que, não tendo filhos, estas duas meninas poderiam ser as minhas filhas, se tal se proporcionasse.

Pois bem, tendo combinado com a Carmen viajarmos para a Turquia, aproveitei para passar uns dias na Bulgária, na companhia destas minhas amigas.

Para chegar a Bourgas, onde vivem, de avião, faço uma viagem longa ou melhor, várias viagens, num total de cerca de 14 horas.

De Lisboa sigo para Frankfurt, na Alemanha, e daqui para Sofia, já na Bulgária. Enquanto o aeroporto de Frankfurt fervilha de vida, com pessoas dos quatro cantos do Mundo, no de Sofia circulam poucas pessoas e o ambiente é tranquilo.

Dos poucos estrangeiros que por lá andavam, cruzo-me com a Yuri, japonesa, residente em Viena de Áustria. A Yuri é maestrina de música clássica, e viaja também para Bourgas, onde irá dirigir uma orquestra, que irá em breve actuar na principal sala de espectáculos da cidade.

Este concerto irá decorrer em data posterior à minha estada em Bourgas, pelo que não poderei aceitar o convite que a Yuri me dirige, para a ele assistir.

O voo de Sofia para Bourgas é um pouco mais longo do que seria desejável, porque tem uma escala em Varna.

Chegado a Bourgas, tenho à minha espera as minhas amigas. A Ayshe, já não a via há cerca de um ano e meio, quando ela esteve em Portugal para tratar de assuntos pessoais, e as filhas, essas já não as via há cerca de três anos.

Naturalmente, sendo crianças, observo que cresceram. A Julia está em plena adolescência, e a Aiylin para lá caminha. De resto, continuam a ser duas belas meninas!

Do aeroporto a casa das minhas amigas, é uma curta viagem.

Sou convidado a ficar em casa delas, pelo que estaremos mais próximos durante a minha estada em Bourgas.

Esta minha vista à Bulgária é curta – pouco mais de quatro dias – pelo que tenho alguma dificuldade em caracterizar um país que me era desconhecido.

Durante a minha estada, tenho a oportunidade de conhecer familiares e amigos das minhas amigas, que me dispensam bastante atenção e afecto.

A cidade de Bourgas, a segunda mais populosa da costa do Mar Negro, na Bulgária, a seguir a Varna, tem nesta época do ano, inicio da Primavera, um aspecto pacato, sendo poucos os visitantes.

Em geral, a cidade é pouco atraente, apesar da relação de proximidade com o Mar Negro.

A arquitectura urbana, salvo raras excepções, é de fraca qualidade, com predominância de edifícios do período de influência soviética, que não são propriamente do meu agrado, em termos de estética.



A tradição das "martenitsa", penduradas nos ramos das árvores, no início da Primavera.


De resto, por estarmos no inicio da Primavera, chama-me a atenção o facto de haver muitas árvores em flor, numa autentica explosão, como que a marcar o renascimento da natureza.

Nalgumas das árvores da cidade, em flor, descubro umas pequenas fitas bicolores, sempre vermelhas e brancas, penduradas nos ramos floridos das árvores. Estes adornos despertam a minha curiosidade, pelo que a Ayshe me conta a história dos mesmos.

Trata-se de uma tradição búlgara, chamada “Baba Marta” (avó Marta, em português), celebrada no primeiro dia de Março. Neste dia, as pessoas oferecem entre si pulseiras de cores branca e vermelha, em lã (?), chamadas “martenitsa”. Estas são usadas pelas pessoas, até que, quando se observa uma cegonha, de regresso do seu refúgio de Inverno, a pulseira é então pendurada no ramo de uma árvore em flor, como desejo de fertilidade.

Um amigo da família, proprietário de uma empresa de transportes para turistas (autocarros), prontifica-se a levar-nos a duas localidades próximas de Bourgas, reconhecidas pela sua beleza, e pelo património histórico e cultural.

Sozopol, a sul de Bourgas, é uma vila piscatória que se encontra quase deserta no dia em que a visitamos. O tempo húmido e frio que se faz sentir não convida a passeios à beira-mar.

Caminhando pelas ruas da povoação, apercebo-me da arquitectura característica da região, constituída por casas em madeira.

De qualquer forma, sendo esta a primeira vez que saio de Bourgas, começo a aperceber-me da construção desenfreada que alastra pelo litoral do Mar Negro e, a avaliar pelas fachadas dos edifícios, a esmagadora maioria das construções recentes é de má qualidade.

Vêem-me à memória casos análogos de especulação imobiliária desenfreada que conheço, no litoral de Portugal, particularmente no Algarve, e na costa mediterrânica de Espanha.

A natureza e os objectivos dos promotores imobiliários é a mesma, cá como lá.

No fundo, o sonho de uma casa próxima do mar, se possível com vista, é universal.

A norte de Bourgas, situa-se Nesebar, cidade balnear, cujo centro histórico, alcandorado sobre o mar, está classificado pela Unesco como Património Mundial.

Sendo esta região povoada há milhares de anos, e tendo aqui vivido gente de várias civilizações, Nesebar tem um património arquitectónico e cultural rico, e um museu de muito interesse.

Esta minha viagem leva-me agora para sul, até Istambul, na Turquia.

Como as minhas amigas se mostram interessadas em visitar Istambul, apenas por um fim-de-semana, decidimos viajar juntos, de autocarro, já que existem ligações diárias a partir de Bourgas.

Assim, partimos numa bela manhã de sol, para percorrer os 340 km que separam Bourgas de Istambul. No autocarro, confortável, quase todos os passageiros são búlgaros e turcos.

Aliás, no caso das minhas amigas, elas são búlgaras, de origem turca. Este caso não é raro, já que a Bulgária pertenceu no passado, ao Império Otomano, que posteriormente deu origem à Turquia. Por esta razão, e porque são dois países vizinhos, a Bulgária tem uma percentagem importante de cidadãos de origem turca.

Voltando à viagem para Istambul, as primeiras duas horas são passadas em território búlgaro, em estradas antigas, por entre campos agrícolas e florestais, e poucas povoações.

Chegados à fronteira, em zona montanhosa e isolada, somos controlados em primeiro lugar pelas autoridades búlgaras, procedimento rápido, e logo a seguir pelas autoridades turcas, muito mais demorado.

Primeiro saímos do autocarro para ir pagar um imposto/visto de entrada no país, apenas para pessoas de algumas nacionalidades (portuguesa incluída), após o que voltamos ao autocarro para retirar toda a bagagem, que é então espalhada e aberta no exterior, para ser inspeccionada pelas autoridades turcas. Os agentes encarregues desta operação, metem literalmente as mãos no interior das malas, à procura sabe-se lá do quê.

Cá por mim, observo o espectáculo invulgar, e lembro-me de como funcionavam as fronteiras entre Portugal e Espanha, há 30 anos atrás.

Uma hora após a chegada à fronteira, porque havia pouco movimento de viajantes, seguimos viagem, agora já na Turquia.

Passados poucos quilómetros, a estrada transforma-se em auto-estrada, a paisagem também muda, passando a predominar vastos campos agrícolas, e cruzamos mais povoações, e algumas cidades. Em termos populacionais, existe uma grande diferença entre estes dois países: enquanto a Bulgária tem menos de 10.000.000 de habitantes, a Turquia tem mais de 70.000.000.

Ao fim da tarde, em plena hora de ponta, entramos em Istambul, num monumental engarrafamento. Como passámos a andar a passo de caracol, damo-nos conta de estar numa grande metrópole, imensa na sua extensão.

A cidade de Istambul tem hoje quase 15.000.000 de habitantes, e cresce a um ritmo elevado.

Às 19.30 horas, oito horas depois de termos iniciado a nossa viagem, chegamos à principal
estação rodoviária de Istambul, enorme e confusa.
















Azulejos de Iznik no Palácio Topkapi, em Istambul.

TURQUIA – ISTAMBUL

A HERDEIRA DE CONSTANTINOPLA E BIZÂNCIO

Uma visita a Istambul confronta-nos obrigatoriamente com a história, não apenas da cidade, mas também do Mundo.

Istambul é uma cidade especial, porque nos últimos dois mil anos foi a sede de três Impérios que dominaram vastos territórios, e que integraram várias culturas.

Hoje, sendo uma grande metrópole, impressiona não apenas pela dimensão urbana, mas também pelo enorme valor do património histórico, pelo facto (creio que único no mundo) de estar situada em dois continentes (Europa e Ásia), pela vida vibrante e pelo dinamismo da renovação urbana e, entre outros aspectos mais, pelos jardins belos e cuidados que oferece aos residentes e visitantes.

Esta última característica sobressai ainda mais na época em que a visitei, inicio de Primavera, com milhões de flores multicolores a engalanarem todos os jardins, com particular relevo para túlipas, nas suas mais diversas variedades.

Aliás, a túlipa é ainda hoje uma flor simbólica para a Turquia, tendo atingido o apogeu da sua popularidade na primeira metade do século XVIII, em pleno Império Otomano.

Mas, regressando à minha viagem, foi aqui em Istambul que me encontrei com a Carmen, que entretanto viajou a partir de Espanha, onde reside.

Para começar esta nova fase da viagem, tivemos a companhia da Ayshe e das suas filhas por um dia. Este foi passado entre o Grande Bazar, com milhares de lojas, hoje muito vocacionadas para o mercado turístico, e o bairro de Beyoglu, uma das áreas comerciais mais importantes da cidade.

Apesar da sua grande dimensão e complexidade do espaço, o Grande Bazar é acessível a qualquer pessoa, sendo o seu interior bem sinalizado, e dispondo de várias portas de acesso, o que faz com que a circulação de pessoas seja fluida, apesar do movimento intenso (no seu interior, apenas é permitido o tráfego pedonal).

Pela sua dimensão, vocação comercial e idade, eu diria que o Grande Bazar de Istambul pode ser considerado o pai de todos os centros comerciais que hoje proliferam em todas as áreas urbanas do mundo.

Finda a visita das minhas amigas búlgaras a Istambul, tendo elas regressado à Bulgária pelo mesmo meio da viagem de ida, eu e a Carmen ficamos por nossa conta.

No segundo dia, domingo, temos um encontro marcado com um casal turco, Özkan e Yesim, residente em Istambul. Conhecemo-nos há poucos anos, em Portugal, através de um amigo comum, o Jack.

Agora em Istambul, combinámos encontrar-nos e almoçar juntos. Por decisão deles, viajamos de carro para norte da cidade, no continente europeu, indo parar a uma localidade à beira do estreito do Bósforo, Rumeli Kavagi, situada a curta distância do Mar Negro.

O trânsito está particularmente difícil, não apenas por ser domingo mas, também por estar a decorrer em Istambul uma reunião internacional participada por políticos de muitas nacionalidades, entre os quais o Presidente dos E.U.A., B. Obama. Este acontecimento despoletou medidas de segurança extraordinárias, que condicionam a vida em Istambul.

Almoçamos num restaurante junto ao Bósforo, após o que encetamos o regresso a Istambul, desta vez pela estrada costeira, ao longo do estreito. Não escapamos a um monumental engarrafamento, pelo que temos a oportunidade de apreciar a paisagem em pormenor.

O litoral tem uma grande densidade de construção que, com o crescimento urbano de Istambul, transformou esta área em mais um subúrbio da grande cidade. Aliás, observando a margem oposta, no continente asiático, percebe-se o mesmo resultado.

Entretanto, o estreito do Bósforo é uma via marítima bastante movimentada, embora não tanto como a estrada que percorremos. Pelo estreito navegam embarcações de diferentes características e tamanhos, desde pequenos barcos de pesca a petroleiros gigantes. Sendo esta a única via de acesso ao Mar Negro, é por aqui que navegam todos os navios que se destinam, ou que são provenientes, dos portos desse vasto mar interior.

Já cansados de andar de carro a passo de caracol, despedimo-nos do Özkan e da Yesim, que nos deixam na área de Ortaköy, junto ao Bósforo.

Esta é uma das áreas urbanas de Istambul mais procuradas pelos residentes, devido ao ambiente e escala humanas, e também à vasta oferta de restauração. Ao fim-de-semana, sábados e domingos, existe uma feira de rua, dedicada maioritariamente ao chamado artesanato urbano, que se espraia pelas ruas mais próximas do estreito.


















Mesquita Büyük Mecidiye, em Ortaköy, junto ao estreito do Bósforo, em Istambul.


Os restantes dias passados em Istambul foram ocupados em passeios e visitas a alguns dos principais monumentos e locais históricos da cidade, situados na área de Sultanahmet, a curta distância do nosso hotel. A propósito, o hotel Orient Express (http://www.orientexpresshotel.com/) é recomendável, por vários motivos. Desde logo a localização, entre a área de Sultanahmet e a ponte de Galata, ponto nevrálgico da cidade, que liga as duas margens do chamado “corno dourado”.

À parte as características originais da ponte de Galata, com dois níveis de circulação pedonal, sendo que no tabuleiro superior também existe tráfego rodoviário, o que mais impressiona é o facto de ser um ponto de encontro de centenas de pescadores que, independentemente das condições meteorológicas, ocupam uma parte substancial do tabuleiro superior, com as suas canas e outros apetrechos de pesca.

Se a estas características da ponte de Galata acrescentarmos o facto de que, nas suas imediações se situam os terminais de barcos que cruzam as águas de Istambul e paragens de outros transportes públicos, é fácil de imaginar que esta área central da cidade é um autêntico formigueiro humano, sobretudo durante o dia.

Voltando aos comentários sobre o hotel onde ficámos, merece também destaque a simpatia e disponibilidade de quase todos os funcionários, que nos acolheram de forma calorosa.

Em Sultanahmet, confrontámo-nos com o passado histórico, valiosíssimo, de Istambul, e das suas antecessoras, Constantinopla e Bizâncio.

Desta última, destaca-se a antiga igreja, posteriormente mesquita, e agora museu de Santa Sofia, com mais de 1.500 anos de existência, que ainda hoje impressiona pela sua grandeza e robustez.

Nas proximidades desta, no período Otomano, foi posteriormente edificada a esbelta mesquita Sultanahmet, mais conhecida como mesquita Azul, enquadrada pelos seus seis minaretes.

Na mesma área da cidade, encontra-se o antigo palácio da corte Otomana, o mais importante da cidade, Topkapi, edificado estrategicamente no topo da colina de Sultanahmet, rodeado de belos jardins, e de onde se têm vistas magníficas sobre a cidade, e as áreas de mar envolventes, do mar da Marmara e do estreito do Bósforo.

Nas imediações deste palácio, situa-se o magnifico Museu de Arqueologia, recheado de tesouros das várias civilizações que povoaram a Turquia.

Ainda na mesma área, encontra-se a Cisterna Yerebatan, outrora destinada ao abastecimento de água a esta área urbana, que encanta pela elegância do seu vasto espaço subterrâneo, suportado por altas e sólidas colunas em pedra.

Embora esta parte da cidade esteja recheada de património histórico de muito interesse, outros locais merecem visita expressa.

É o caso da antiga igreja bizantina de St. Saviour in Chora, agora transformada em museu, Kariye.

Situado numa área residencial antiga da cidade, não muito distante do Corno Dourado, servimo-nos de um autocarro público para lá chegar, a partir da ponte de Galata.

Pelo caminho, percorremos uma longa avenida com muito comércio, no qual se destacam inúmeras lojas de vestidos para noivas.

A meio da manhã, encontramos o museu Kariye apinhado de turistas, em parte pelo valor patrimonial do museu mas, também pelo facto de que, neste dia a área de Sultanahmet, a principal área monumental de Istambul, se encontrar interdita a visitantes/turistas, já que o Presidente dos E.U.A., B. Obama, por lá anda a visitar algumas das suas maravilhas.

O museu Kariye, antiga igreja bizantina, posteriormente transformada em mesquita, é hoje um imóvel destituído de uma parte do seu recheio interior, excepto os mosaicos que revestem ainda algumas das paredes e tectos. Estes, do período bizantino, evocam figuras e cenas da vida cristã, sendo de grande qualidade artística.

Terminada a visita ao museu, era tempo de almoçar. Nada melhor do que comer no Restaurante Asitane (http://www.asitanerestaurant.com/English/index.php), localizado a poucos metros de distância do museu, em edifício de um pequeno hotel, dos mesmos proprietários.

Este restaurante, excelente, é conhecido por apresentar uma cozinha inspirada na tradição da antiga corte Otomana.

No cômputo geral, de todos os restaurantes que visitámos na Turquia, este foi o que mais me agradou.

Depois do almoço, nada melhor do que fazermos um passeio a pé. Para isso, caminhámos em direcção ao Corno Dourado, tentando seguir a antiga muralha Otomana que passa nesta área da cidade.

A muralha, impressionante pela sua estatura, apresenta-se no entanto bastante degradada, tendo várias falhas, que nos desorientam.

No entanto, mesmo sem outras referências urbanas, sabíamos que teríamos que descer, em direcção ao Corno Dourado. As ruas e ruelas que percorremos são ocupadas por habitações modestas, vendo-se poucas pessoas, talvez pela hora do dia.

Ao fim de algum tempo, atingimos o nível mais baixo do percurso e, numa avenida movimentada, apanhamos um autocarro que nos leva mais acima no Corno Dourado, até ao bairro de Eyüp.

No centro de Eyüp encontramos uma vida intensa, sem os habituais sinais de presença de turistas, o que me agrada.

Depois de um passeio pelo centro do bairro, apanhamos um teleférico de construção recente, que nos transporta ao longo de uma encosta ocupada por um enorme cemitério, até ao topo, onde se encontra o Café Pierre Loti.

Este local foi frequentado no inicio do século XX pelo escritor francês Pierre Loti, que viveu em Istambul e que, acabou por dar o nome ao local.

Hoje, o Café Pierre Loti é bastante popular, não apenas entre os turistas mas, sobretudo entre os locais.

Para além do café, que não proporciona muito mais do que o habitual chá ou café turcos, existe uma pequena loja que oferece produtos relacionados com a vida e obra de Pierre Loti e, uma ampla esplanada da qual se tem uma vista panorâmica sobre o plano de água do Corno Dourado, aqui já pouco profundo e por isso com trânsito diminuto de embarcações, e ambas as margens com uma grande densidade de construção. Ao longe, vêm-se as várias pontes que cruzam o Corno Dourado, até à última, a de Galata.

Depois de desfrutarmos do panorama, descemos, de novo no teleférico, para caminharmos ao longo da água até à primeira ponte, que atravessamos, para no lado oposto encontrarmos uma estação de barcos, onde aguardamos por transporte para o centro da cidade.

O barco em que viajamos serve claramente as populações locais, embora também os turistas. A bordo, existe um bar de serviço e, um dos empregados dirige-se diligentemente aos passageiros, oferecendo-lhes chá, café e outros produtos.














Kayseri: Grande Mesquita e as muralhas da antiga cidadela, à esquerda, ao final do dia.

TURQUIA – CAPADÓCIA

Ao oitavo dia, é tempo de deixar Istambul, para seguirmos viagem.

Hoje, o nosso destino é a cidade de Kayseri, situada no planalto da Anatólia, cerca de 600 km a sudeste de Istambul.

De avião, é cerca de uma hora de viagem, na companhia, entre outros, da equipa feminina de basquetebol do Galatasaray.

Esta, com algumas atletas estrangeiras, é saudada efusivamente por um grupo de jovens adeptos, à chegada a Kayseri.

Kayseri é uma cidade importante nesta região, e aqui ficamos duas noites.

O hotel escolhido, Hilton, tem uma localização soberba. Na principal praça da cidade, ampla, frente às muralhas da cidade antiga, ao lado da qual sobressai imponente mesquita, com um fundo de montanhas em cujos cumes existe ainda muita neve. Aliás, o cume mais alto que daqui se avista é o da segunda montanha mais alta da Turquia, Erciyes Dagi, com quase 4.000 metros de altura.

O tempo passado em Kayseri serviu sobretudo para descontrairmos do ritmo frenético da vida em Istambul.

Assim, passeámos pelas ruas do centro, visitámos os mercados tradicionais, que não são particularmente interessantes e, preparámo-nos para os próximos dias, para a visita à região da Capadócia.

Com um carro alugado, saímos da cidade para viajar para sudoeste, até atingirmos a povoação de Güzelyurt, a nossa próxima base.

No caminho, passamos por Kaymakli que, à primeira vista não revela nada de particular interesse para os visitantes. No entanto, Kaymakli tem muito mais interesse … debaixo da terra.

Em tempos idos, as populações desta região sofria frequentes ataques de invasores que lhes causavam enormes perdas. Assim, por necessidade, e com engenho, os locais construíram estruturas subterrâneas que pudessem ser habitadas, sempre que eram ameaçados por invasores.

Hoje, estas construções subterrâneas já não são habitadas mas, constituem uma atracção para os visitantes.

Das muitas que existem, a de Kaymakli é das mais importantes, atraindo pois muitos visitantes, que justificam o habitual mercado para turistas, onde se encontram os produtos mais banais, iguais a muitos outros que se encontram em todos os outros locais de interesse turístico que visitamos.

De qualquer modo, este aspecto desinteressante tem a virtude de assinalar claramente a entrada para a cidade subterrânea de Kaymakli, sem o que talvez fosse difícil dar com ela.

Neste local, amigos que aqui estiveram em 2008, pediram-me para procurar um guia turístico que os havia conduzido numa visita à cidade subterrânea, para lhe entregarmos umas fotografias tiradas na ocasião.

Casualmente, ao chegarmos perto da entrada para a cidade, identificámos o homem das fotografias mas, constatámos que ele se dirigiu para as entranhas da terra, guiando um grupo de visitantes.

Não sabendo quando voltaria à luz do dia, optei por solicitar a ajuda de outro guia que, amavelmente me levou ao interior da cidade, através de escadas e corredores estreitos, até encontrarmos o meu alvo numa das inúmeras salas da urbe subterrânea (esta estrutura, quando em uso, era habitada por milhares de pessoas).

Pedindo desculpa pela interrupção, entreguei as fotografias ao guia turístico, professor reformado, que se manifestou surpreendido pela situação.

De volta à superfície, informei a Carmen das características do espaço interior e, optámos por fazer uma visita não guiada, seguindo a sinalização, básica mas eficaz, que nos levou a percorrer mais corredores estreitos, e alguns tão baixos que exigem que avancemos quase de gatas, escadas e salas despidas de quaisquer objectos, tendo por companhia muitos outros visitantes.

De volta à luz do dia, com alívio, seguimos então o nosso percurso até Güzelyurt, onde ficaremos nas próximas duas noites.


Com a Carmen, no Vale de Ihlara, região da Capadócia.

Güzelyurt revela-se uma localidade pouco interessante, tendo no entanto algum património arquitectónico de valor, particularmente de influência grega. Esta deve-se ao facto de que, até ao século XX, esta região ter sido habitada por comunidades de origem grega que, entretanto foram obrigadas a deixar a região, sendo deslocadas para a Grécia, por troca com outras de origem turca que habitavam na Grécia.

Estas trocas implicaram muitas mudanças, tanto para as pessoas como para os locais afectados. Por exemplo, a localidade de Güzelyurt chamava-se Gelveri, quando era habitada por comunidades gregas.

O hotel onde nos alojamos, Karballa, é um exemplo dessa influência arquitectónica, já que se trata de um antigo mosteiro grego, edificado no século XIX.

Mas, o que nos trouxe aqui não foi tanto o propósito de conhecer Güzelyurt, mas sim o de visitarmos um parque natural localizado a cerca de 15 km de Güzelyurt, chamado Vale de Ihlara.

É para lá que nos dirigimos no dia seguinte, sob a ameaça de chuva, e com algum frio.

O Vale de Ihlara é fruto de uma fractura geológica que rasgou a planície, sendo esta pouco atraente, com vegetação rasteira. Ao longe, vemos montanhas com neve nos cumes.

Para se entrar no vale existem vários pontos de acesso, tendo nós optado por um intermédio, entre as povoações de Ihlara e Belisirma, que nos permite caminhar cerca de 6 km, até à última destas duas localidades.

A partir da entrada, depois de pago o bilhete de acesso ao vale, descemos uma longa escada com centenas de degraus ao longo de uma ravina a pique, até chegarmos à base do vale, com cerca de 100 metros de largura, coberto por bastante vegetação, incluindo árvores de grande porte, que nesta altura do ano se apresentam repletas de rebentos das novas folhas. A meio do vale corre um pequeno mas caudaloso rio, devido ao final da época das chuvas.

O passeio ao longo do vale é fácil, sendo o terreno pouco acidentado. Aqui e ali, vemos nas paredes das ravinas dos dois lados, construções antigas escavadas na pedra. A maioria destas são antigas igrejas cristãs, abandonadas, em mau estado de conservação.

Calmamente, ao fim de três horas e meia, chegamos à povoação de Belisirma onde, sobre o rio, existem vários cafés e restaurantes, ideais para fazer uma paragem, para recuperar forças. É isto que fazemos, e aproveitamos para almoçar.

De Güzelyurt, viajamos para norte, até Uçhisar, a povoação mais alta da Capadócia, aquela que será a nossa última etapa desta viagem à Turquia.

Entretanto, as condições meteorológicas degradaram-se, pelo que apanhamos frio e chuva. Nestas condições, torna-se difícil visitar a região central da Capadócia, conhecida pelas suas paisagens originais, fruto de erupções vulcânicas ocorridas há muito tempo.

Não sendo confortável caminhar pelos vales esculpidos pelas forças telúricas, contentamo-nos em visitar de carro as principais localidades desta região, e algumas atracções históricas e culturais.

Das primeiras, destaco a cidade de Avanos, importante centro de produção cerâmica, onde existem dezenas de olarias activas, que oferecem produtos dos diversos estilos desta arte tradicional turca.

Avanos é também palco de um animado mercado semanal, à sexta-feira, onde se encontra de tudo em quantidade e, no caso dos produtos alimentares frescos, de excelente qualidade.

Sendo um mercado importante para a região, neste dia vêm à cidade muitos visitantes das áreas rurais mais próximas. É uma boa ocasião para observar as pessoas, e os seus trajes.

Com este objectivo, vale a pena caminhar pela ponte pedonal que cruza o rio Kizilirmak, o qual atravessa a cidade, a partir da mesquita que se encontra no centro de Avanos.

Do vasto património histórico desta região, descobrimos os meandros do Mosteiro Keşlik, construído com engenho e muita dedicação por uma comunidade cristã.

Este local isolado encontra-se na estrada que se dirige para sul de Ürgüp, passando a vila de Mustafapaşa, a qual também merece uma visita, sobretudo pelo seu interessante património arquitectónico, de influência grega.

Por último, uma referência à tradicional cerimónia Dervish, chamada Semâ, praticada por seguidores do culto muçulmano iniciado no século XIII por Mevlana.

Interdito durante vários séculos, no período do Império Otomano, o cerimonial Dervish é hoje praticado sem restrições, sendo também divulgado publicamente, como espectáculo.

Sendo para nós desconhecido, quisemos aproveitar esta oportunidade para o conhecer, pelo que nos deslocámos a um local onde a cerimónia Dervish é interpretada duas vezes por dia, a uma audiência de centenas de espectadores, quase todos turistas.

O local onde tem lugar esta cerimónia, Saruhan, que eu interpreto como um espectáculo, com bilhetes individuais a 25 euros, é um antigo “carevanserai” (local utilizado pelos mercadores que viajavam pelos caminhos por onde circulavam os bens que alimentavam as rotas comerciais antigas, como a famosa Rota da Seda, que por aqui passava), recentemente reconstruído. O edifício fortificado, atraente, em pedra de tons rosados da região, fica situado na estrada que liga as cidades de Kayseri a Avanos.

Não tendo entrado em transe com esta cerimónia, foi um bom epílogo para uma primeira visita à Turquia, país onde a fusão de culturas ancestrais converge com a modernidade.

30 Janeiro 2009


Marvão, Alto Alentejo: a minha terra adoptiva em Portugal.
2008 – UM ANO PARA ESQUECER, OU TALVEZ NÃO
À partida, o ano de 2008 parecia-me promissor, por poder estabilizar a minha vida, e continuar a viajar, pelo prazer de conhecer o Mundo.

Logo no inicio do ano, aluguei um apartamento em S. João do Estoril, localidade que conheço bem, pois tem sido aqui que tenho vivido quase toda a minha vida, desde que deixei o lar materno, há quase 30 anos.
Na minha nova casa, que assumi como temporária, tenho vivido com prazer uma vida simples e descansada.
Que me lembre, nunca como neste ano passei tanto tempo em casa, fazendo o que me apetece, sobretudo ler pela manhã, e observar o Mundo.
O meu Mundo tem várias dimensões, desde a escala planetária, que posso contemplar graças à internet, até ao Mundo invisível, dos meus pensamentos.



S. João do Estoril, Cascais: vista da minha casa.
Também, na minha casa tenho uma varanda para o Mundo, que me permite observar a vida local, que é bastante diversificada, já que nesta área residem pessoas de muitas origens, as quais transparecem nos seus modos de vida.
Mas, a varanda da minha casa ainda me permite ver o mar, lá em baixo, muito extenso, até à linha do horizonte.
Todos os dias, pela manhã, observo o mar como se de uma revelação se tratasse. Todos os dias ele aparece diferente, ora calmo e azul, ora turbulento e cinzento e, nalguns dias, como hoje, quase não se deixa ver, pelo nevoeiro que se intromete.
E depois, há os barcos que por aqui navegam, uns em passeio, os veleiros com as velas enfunadas, ao sabor do vento, e os outros, mais apressados e menos elegantes. Mas, para além das embarcações de recreio, também aprecio os navios de carga que, por razões que desconheço, diariamente aportam quase à minha porta, ficando fundeados ali em baixo, mesmo em frente a minha casa.
Vendo estes navios, imagino sempre as suas tripulações exóticas, de pessoas de países de mão-de-obra barata, e como estas nos observam a nós, com a mesma curiosidade.
Outra curiosidade me despertam os navios de cruzeiro, quais palácios flutuantes, que navegam ao longo da costa portuguesa em circuitos turísticos que pousam em Lisboa por algumas horas.
Estes templos de viagens prazeirentas quase sempre chegam de manhã cedo, e partem ao fim da tarde. Às vezes, imagino-me a viajar num destes navios, talvez pelas memórias de infância, das muitas viagens que fiz de barco, entre Angola e Portugal.


Cascais: Farol de Santa Marta, transformado em museu, em 2007.
No inicio de 2008, projectei novas viagens, algumas das quais pude concretizar.
Em Portugal, revisitei os Açores, Minho e Alentejo, por esta ordem, e lá fora, descobri Itália e em Espanha, Valência, graças à Carmen, a minha nova companheira.
Mas, outros projectos de viagem ficaram por concretizar, por dificuldades inesperadas. Se por um lado a profunda crise económica mundial me afectou, e assustou, também tive que enfrentar fantasmas do meu passado profissional, que já julgava extinto.
Enfim, primeiro o dever e depois o prazer, pelo que espero que o ano de 2009 possa trazer melhores perspectivas, ao menos no que a viagens diz respeito.

20 Janeiro 2009

VALÊNCIA –
A PRIMEIRA VISITA

Existem muitas razões, e algumas boas, para visitar um local.
Neste caso, a minha primeira visita a Valência deve-se à Carmen, com quem tenho uma relação sentimental.
Desde que nos conhecemos em 2008, a Carmen, que reside em Valência, esteve em Portugal várias vezes pelo que, era chegada a minha vez de retribuir as visitas que me fez.
Assim, no inicio de Dezembro passado, fui aos “antípodas” da Peninsula Ibérica (a expressão é da Carmen), que é muito mais próximo que a Nova Zelândia, os verdadeiros antípodas para Portugal.

A estada em Valência foi dedicada ao prazer de estar com quem quero estar, a Carmen, e à descoberta de uma cidade desconhecida.
Da cidade, fica-me na memória o contraste da arquitectura do passado, com edifícios elegantes do final do século XIX e
inicio do século XX, com os “templos” da Cidade das Artes e das Ciências, projecto grandioso do Arquitecto valenciano Santiago Calatrava.
















No centro da cidade, vale a pena visitar o belo Mercado Central (fotografia acima: cúpula do Mercado Central, ornamentada com azulejos regionais), pleno de encanto, quer pela traça do edifício quer pelas actividades comerciais que ali decorrem, com a oferta de bons produtos regionais e outros, como cerejas do Chile, a 35 euros o quilo!

A propósito de comércio, a caminho do aeroporto, impressiona a presença de dezenas de armazéns que vendem tudo e mais alguma coisa, produzido na China. Se aqui passarmos, e não soubermos onde nos encontramos, pelos nomes e caracteres chineses que decoram as fachadas destes imóveis, podemos imaginar que nos encontramos numa qualquer metrópole da China.

17 Julho 2008

A Ingrid e o Carlo, no pátio da sua casa, em Porto.




















ITÁLIA - ENTRE A UMBRIA E A TOSCANA

O acto de viajar pode ter muitas motivações. Para mim, uma das mais fortes é a possibilidade de conciliar o prazer de viajar com a companhia de amigos, particularmente se estes tiverem um vínculo ao local de destino da viagem.
É o que acontece com a Ingrid e o Carlo. Eles têm uma casa em Itália, na região da Umbria, numa aldeia chamada … Porto, nas proximidades do pequeno Lago de Chiusi, e também do grande Lago Trasimeno.
É aqui que vai ter inicio esta minha viagem, de quase três semanas, a Itália.

Ao chegar ao aeroporto de Roma, sigo de imediato para a cidade, de comboio, chegando à enorme e muito movimentada Estação Termini.
Aqui, apanho um outro comboio, para norte, que me levará até Chiusi, onde me esperam os amigos Ingrid e Carlo.
O percurso, depois de deixarmos a área urbana de Roma, torna-se agradável, com paisagens campestres, verdejantes, com frequentes manchas vermelhas de papoilas, e árvores que me são familiares dos campos de Portugal.
Aqui e ali, aparecem pequenas povoações no cimo de pequenas elevações, com aspecto antigo.
Quando o comboio pára em Chiusi, cerca de uma hora e vinte e cinco minutos depois de sair de Roma, saio, e lá estão a Ingrid e o Carlo, de braços abertos, para me acolherem.

O resto do dia da chegada foi passado em Porto, primeiro no hotel onde me instalei, o único da aldeia, Monteluce, que tem quartos modestos (o meu, tem a banheira mais pequena que eu alguma vez utilizei) mas, em contrapartida, tem um amplo jardim, cuidado, com belas árvores, entre as quais muitas tílias, que estão agora a começar a florir, e uma piscina.
O jardim, está ao cuidado da Franca, italiana, ex-professora, que se dedica seriamente a este local, onde também vive.
A Franca, pelo que pude conhecer dela, em conversas que tivemos, tem outras actividades, nomeadamente no campo espiritual.
Ao final do dia, fui visitar a Ingrid e o Carlo. A casa deles fica situada a poucas centenas de metros da aldeia, e está rodeada por campos agrícolas.
Esta casa foi comprada pelo Carlo, em 1985, quando então se mudou da Alemanha, o seu país natal. O Carlo, aqui viveu até há cerca de cinco anos, quando então iniciou uma relação sentimental com a Ingrid, também de origem alemã mas, mais portuguesa que a maioria dos portugueses que conheço.
Hoje, a Ingrid e o Carlo residem a maior parte do tempo em Portugal, onde somos vizinhos.
A casa de Porto, foi transformada pelo Carlo, que trabalhou como Arquitecto, sendo um espaço acolhedor, repleto de memórias de uma vida rica (no sentido positivo do termo).
Em casa, enquanto jantamos – e o Carlo é um gastrónomo – fazemos planos para os próximos dias, ou melhor, os meus amigos informam-me dos seus planos pois, sendo eles profundos conhecedores desta região, tínhamos combinado previamente que estes primeiros cinco dias, o tempo que aqui permanecerei, seriam ocupados do modo que eles desejassem.

Assim, no dia seguinte, saímos de manhã, para irmos visitar um local especial, uma propriedade privada, que o Carlo teve a ocasião de conhecer recentemente.
La Scarzuola, distante das estradas principais, nem sequer vem referenciada no meu guia de viagem – The Rough Guide to Tuscany & Umbria – o que atesta a limitação destas fontes de informação que, por muito boas que sejam (e os guias da Rough Guides, para mim, são os melhores), têm normalmente algumas lacunas.
Chegados ao local, somos recebidos pelo proprietário, que nos irá conduzir numa visita guiada, com mais algumas dezenas de visitantes, quase todos italianos.
Esta propriedade teve origem num convento Franciscano, erigido em 1218, pelo próprio S. Francisco de Assis.
Em meados do século XX, a propriedade foi adquirida por Tomaso Buzzi (familiar, entretanto falecido, do actual proprietário), arquitecto milanês, que empreendeu uma obra de grande envergadura, de carácter pessoal.
Hoje, La Scarzuola, é um vasto conjunto arquitectónico, constituído por muitos edifícios, que se conjugam entre si de modo intrigante, distribuídos num terreno ondulante, com amplas áreas de jardim, com um propósito eminentemente cénico. Os edifícios, representativos de várias épocas e estilos, têm em comum o facto de terem sido construídos com a pedra local, que confere ao conjunto alguma unidade.
De resto, a obra realizada é uma fantasia pessoal, realçada pelas histórias mais ou menos surrealistas contadas pelo nosso guia, com um forte sentido teatral, e pleno de ironia.
Depois desta visita a um mundo quase irreal, era tempo de almoçarmos, o que nos levou ao Agriturismo Gattogiallo (http://www.agriturismogattogiallo.it/), propriedade de turismo rural, situada a poucos quilómetros de distância.
Aqui, no topo de uma elevação, com vistas largas para os campos circundantes, pontilhados de casas campestres, desfrutámos de um bom almoço, preparado pelo proprietário, também chefe de cozinha.

Com o estômago aconchegado, e com as imagens fantasiosas de La Scarzuola na memória, seguimos o passeio diário em direcção a Città della Pieve, pequena povoação de origem Etrusca, conhecida sobretudo por nela ter nascido Perugino (cujo nome de baptismo foi Pietro Vannucci), no século XV, um dos pintores mais talentosos deste período.
Aqui, pude admirar a primeira de muitas obras de arte que teria ocasião de ver durante esta minha visita a Itália, de Perugino, o magnífico mural designado “Adorazione dei magi”.

No dia seguinte, começámos por visitar uma igreja nos arredores de Montepulciano, localidade que visitaria noutro dia.
A Igreja de San Biagio, construída na primeira metade do século XVI, está localizada no sopé da colina onde se encontra Montepulciano.
A igreja aparece majestosa, no enfiamento de uma estrada ladeada por magníficos ciprestes, aquela espécie que em Portugal é conhecida como sendo a árvore dos cemitérios mas que, em Itália, particularmente nesta região, é utilizada com frequência como elemento decorativo, sobretudo em propriedades rurais.
Daqui seguimos para Pienza, uma localidade edificada no século XV, à medida dos desejos do Papa Pio II, que havia nascido numa aldeia que existiu no mesmo local onde posteriormente nasceu Pienza.
Os planos iniciais eram grandiosos, mas a morte de Pio II, poucos anos depois do inicio das obras, comprometeu o desenvolvimento da obra, até porque nenhum dos seus sucessores se interessou pelo projecto.
Assim mesmo, Pienza é uma localidade atraente, tanto pelo património monumental renascentista, como pelo casario circundante, construída no topo de uma elevação, com vistas amplas.
De Pienza, seguimos para Montalcino, conhecida sobretudo pela produção vinícola da região. A qualidade destes é elevada, sobretudo o Brunello, um dos mais prestigiados de Itália.
Aliás, a fama dos vinhos da região é tal que, chegando a Montalcino, me chama a atenção o elevado número de enotecas que existem no perímetro da localidade.
Depois de um passeio a pé pelas ruas de Montalcino, e de uma pausa para almoço no agradável Café Alle Logge di Piazza, continuámos o percurso planeado pelo Carlo, em direcção à Abadia de Sant’ Antimo, por muitos considerada como a mais atraente da região.
Sant’ Antimo (http://www.antimo.it/) foi edificada entre os séculos VIII e IX, embora a igreja que hoje existe seja uma construção do século XII.
Na época em que foi construída, estava situada na proximidade de várias e importantes vias de comércio e peregrinação, do período Medieval, mas com origens que remontam ao período Etrusco. O mais importante desses caminhos era a Via Francigena, que foi durante séculos o mais importante de todos os percursos de peregrinação entre Roma e o norte da Europa.
Hoje, Sant’ Antimo é sobretudo frequentado por turistas, já que apenas nove monges lá habitam.
Ainda tivemos tempo para visitar Bagno Vignoni, outra pequena localidade, que deve a sua existência às águas termais que aqui correm.
Estas, foram aproveitadas pelo menos desde o período Romano, tendo mais tarde, na Renascença, sido construída uma enorme piscina, a mando da família Medici, que ocupa o centro da localidade. Este espaço não está hoje acessível para banhos mas, sendo um espaço público, pode-se caminhar à sua volta, como que, se de uma praça se tratasse.

Novo dia, novo passeio. Hoje, o destino é Cortona, localizado a norte do Lago Trasimeno.
Cortona, é mais uma localidade que se apresenta com o seu casco medieval quase intacto, e cresceu encavalitada numa encosta montanhosa, tendo por isso desníveis acentuados e vistas largas.
Aqui, visitamos o excelente Museu MAEC – Museo dell’Accademia Etrusca e della Città di Cortona, onde se conta a história da vila, anterior à chegada dos Etruscos, e da região, com particular destaque para os períodos Romano e Etrusco.
Almoçámos na Enoteca Enotria, junto à entrada principal de Cortona, que é propriedade de uma amiga do Carlo, a Imola.
Esta preparou-nos um delicioso prato de queijos e enchidos regionais, que acompanhámos com pão, regado com azeite.
De regresso a Porto, tivemos a surpresa de receber a visita do Pedro, filho da Ingrid.
O Pedro reside em Munique, na Alemanha, e viaja frequentemente para Itália, já que trabalha numa empresa italiana. Hoje, esteve em Florença, para visitar a selecção nacional de Itália, de futebol, que está em estágio para o Euro 2008, que se inicia em breve. Este encontro com a selecção italiana deveu-se ao facto desta ser patrocinada pela empresa do Pedro.
Jantámos os quatro, sossegados, no hotel, onde raramente apareciam outras pessoas.

No dia seguinte, despedimo-nos do Pedro, que aqui passou a noite, e fomos a Castiglione del Lago, situada na margem ocidental do Lago Trasimeno.
Sendo quarta-feira, hoje há feira em Castiglione del Lago, pelo que as ruas do centro estão ocupadas pelos feirantes e visitantes.
O centro da localidade está situado no topo de uma pequena colina, de onde se avista o lago, extenso, mas pouco profundo, com três pequenas ilhas.
De regresso a Porto, os meus companheiros decidem ficar a descansar, pelo que me emprestam o carro, para eu aproveitar o resto do dia.
Decido ir a Montepulciano, mais uma localidade de ruas empinadas, hoje conhecida pelo Vino Nobile, um dos mais reputados de Itália.
Pela primeira vez desde que cheguei a Itália estou sozinho, pelo que ocupo o tempo a meu bel-prazer, caminhando calmamente pelas ruas, observando as pessoas e os locais por onde passo.
Almoço no Restaurante Il Cantuccio, para depois comer um bom gelado numa pequena casa situada a curta distancia, na rua principal, Via Gracciano nel Corso.
Regresso a Porto, onde passo a última noite.
Na manhã seguinte, a Ingrid e o Carlo levam-me a Chiusi, onde nos despedimos.
Ficamos de nos encontrar de novo em Portugal, dentro de algumas semanas.

No rescaldo desta primeira parte da viagem, passada entre a Umbria e a Toscana, recordo as palavras da Ingrid, que me disse, ainda em Portugal, que em Itália, só nesta região, existem dezenas de pequenas localidades interessantes, com características medievais, com o casario rodeado por muralhas, e com tesouros artísticos de grande valor, quer em museus, quer em igrejas.
Só para se ter uma ideia da concentração destas localidades, acrescento que, todos os locais visitados nestes primeiros dias, e acima referenciados, estão a menos de uma hora de distância, de carro, da nossa base, a aldeia de Porto. Confirmadas as melhores expectativas, vou prosseguir a minha visita a Itália com os olhos e o espírito cheios de beleza.
Siena: vista do centro da cidade, com a Praça Il Campo, e a Torre del Mangia.

SIENA

Chego a Siena após uma curta viagem de autocarro, iniciada em Chiusi.
A minha expectativa é grande, porque se trata da primeira de várias cidades importantes que irei visitar, em Itália.
O meu imaginário leva-me à praça da cidade onde se celebra uma das festas populares mais afamadas de Itália, o Palio de Siena (http://www.ilpalio.org/palioportoghese.htm).

Pois, o meu hotel (definir o meu alojamento como hotel não é correcto, já que se trata de uma casa com quartos, felizmente limpos, sem quaisquer serviços complementares) fica situado nas traseiras da belíssima praça central de Siena, genericamente identificada como Il Campo.
Do quarto que ocupo tenho uma bela vista para uma das encostas da cidade (a área central de Siena está situada numa elevação), que se prolonga para os arredores através duma área verde. Enquanto me preparo para a primeira abordagem à cidade, observo o voo vertiginoso de centenas, talvez milhares de andorinhas que aqui estão nesta época do ano.
Entretanto, repicam os sinos das igrejas mais próximas, como que a lembrar da sua importância.

Saindo para um primeiro passeio pela cidade, dirijo-me para Il Campo. A chegada à praça impressiona-me, pela sua forma invulgar (quase um semi-circulo, em plano inclinado), pela harmonia e escala dos edifícios envolventes, e pela vida fervilhante que ali ocorre, de dia e de noite.
De facto, tendo estado em Siena durante vários dias, pude constatar que Il Campo tem um poder magnético sobre as pessoas, residentes e visitantes, que faz com que quase todos por lá passem diariamente.
As razões desta atracção são diversas, sendo que na parte superior da praça se encontram diversos cafés e restaurantes, todos com amplas esplanadas, e no lado inferior predomina o Palácio Pubblico, com a imponente Torre del Mangia, com quase 100 metros de altura.
É em Il Campo que decorre, duas vezes por ano, a festa do Palio, disputada por bairros de Siena, organizados em Contradas, através de cavalos e cavaleiros que competem num circuito à volta da praça. O vencedor é o cavalo que termina a corrida em primeiro lugar, independentemente do cavaleiro ainda estar no seu posto, ou não.
Um dos aspectos que possibilita às pessoas fruírem desta ampla praça de modo repousante é o de poucas viaturas automóveis perturbarem o ambiente.
Isto deve-se ao facto da área histórica de Siena ter fortes restrições ao trânsito automóvel, há já várias décadas. As únicas excepções são os transportes públicos, e motociclos.
Os dias passados em Siena levaram-me inúmeras vezes a este local, que considero uma das praças mais atraentes e especiais, que conheço.

Saindo de Il Campo pela parte superior, entramos numa área urbana comercial, próxima da qual se encontra a segunda maior atracção da cidade, a catedral (Duomo em italiano).
Esta, imponente, foi construída no inicio do século XIII, e posteriormente ampliada. Este projecto, ambicioso, visava construir a maior igreja em Itália, fora de Roma. A obra foi no entanto interrompida em 1348, quando Siena foi assolada pela peste negra, a qual dizimou a sua população. Em cerca de cinco meses, mais de dois terços da população da cidade (cerca de 100.000 habitantes na época, no que na altura era identificada como uma das cidades mais importantes da Europa) morreu pela acção da peste.
Esta tragédia afectou também o desenvolvimento da República de Siena que no século XIV rivalizava com a vizinha Florença.

Hoje, Siena tem uma população inferior à que teve no século XIV, quando foi atingida pela peste, e é uma cidade interessantíssima, porque mantém a estrutura medieval, onde pontificam os dois elementos atrás referidos.
A catedral, para além da sua imponência, é de uma beleza rara. A quantidade e qualidade do trabalho arquitectónico e decorativo são invulgares, desde a utilização alternada de mármore de cores branca e preta, em linhas horizontais, aos 56 painéis figurativos em mármore policromo, que cobrem todo o pavimento interior, o riquíssimo púlpito, pelo excepcional trabalho escultórico, até à deslumbrante sala da biblioteca (Libreria Piccolomini), com as paredes e tectos faustosamente cobertas por frescos de grande qualidade artística, passando por muitos outros trabalhos executados por mestres contratados para contribuírem para esta obra grandiosa.
Aliás, a quantidade e qualidade das obras de arte sacra que foram produzidas para este templo foi de tal modo elevada que, em edifício anexo à catedral, existe o museu “Dell’Opera del Duomo”, repleto de peças provenientes da catedral.
Aqui, no piso superior, existe uma pequena passagem que dá acesso ao chamado “Panorama dal Facciatone”, através de uma estreita escada que nos conduz a uns terraços, que tiveram origem no projecto de expansão da catedral, entretanto interrompido. As vistas para a cidade e arredores são soberbas, sendo a melhor altura do dia para se aceder a este miradouro, o final da tarde.

Os meus dias em Siena foram bem passados em passeios pela cidade, entrecortados por visitas a alguns dos seus principais monumentos e, claro, também a restaurantes e outras casas de alimentação.
Dos restaurantes, merecem nota positiva o Antica Trattoria Papei e a Osteria Le Logge, ambos situados nas proximidades da Praça Il Campo.
Imperdivel, para quem aprecie enchidos, queijos, vinhos e outros prazeres para a boca, é a Antica Pizzicheria Chigiana (APC), espécie de tasca, minúscula, repleta de produtos tradicionais da região, onde estive com o Xico (meu primo) e a Vera, com quem me encontrei em Siena.
O Xico, que já conhecia esta região, tinha estado a trabalhar durante algumas semanas em Itália, próximo de Roma, pelo que aproveitámos a minha viagem para nos encontrarmos num fim-de-semana, durante o qual o Xico e a Vera passearam por Itália.
Quando entrámos na casa recomendada (APC), demos com outros clientes, com quem estabelecemos conversa, o que é fácil, pela pequena dimensão do espaço.
Para além de dois empregados, que se encarregam do serviço com satisfação, ali estavam algumas mulheres, norueguesas, que fazem parte de um grupo de 20, amigas de infância, que todos os anos fazem uma viagem juntas, sem companheiros.
Uma das norueguesas, particularmente comunicativa, ficou encantada por nos conhecer, ela que aprecia bastante Portugal. Aliás, os comentários elogiosos a Portugal são generalizados, quando falamos com estrangeiros que conhecem o nosso país.
Outra referencia positiva em Siena, para quem aprecia gelados, é a da Gelateria Nannini, uma das melhores casas de gelados, das muitas que conheci em Itália.

De Siena, repleta de turistas, nacionais (porque estava a decorrer um fim-de-semana prolongado) e estrangeiros, parti para Florença, de autocarro.
Outra viagem curta, ainda para norte, num autocarro cheio. Ao meu lado, sentou-se uma jovem asiática, que estava acompanhada por um outro jovem, igualmente asiático.
Sendo a Ásia um território quase desconhecido para mim, arrisquei a pergunta para saber de onde são estes companheiros de viagem. A resposta foi-me agradável, já que a Tian e o Kit são naturais de Singapura.
De Singapura, que conheço bem, só me lembro de pessoas educadas, o que é um bom princípio para uma boa conversa.
A Tian, jornalista, e o Kit, licenciado em Gestão, estão a visitar Itália, e outros países europeus, aproveitando o final de um período anual em que o Kit esteve a residir na Suécia, frequentando uma universidade.
Agora, estão prestes a regressar a Singapura, onde pensam continuar a residir. À chegada a Florença, despedimo-nos, já que os meus novos amigos vão seguir viagem.